Nesta segunda-feira (06), o jornalista Caco Barcellos participou de uma entrevista em homenagem ao “Dia Internacional do jornalista” – 07 e abril – nos estúdios do Grupo Uninter.
A entrevista teve a participação de Adriana Amaral, coordenadora de pós-graduação em jornalismo on line e Benhur Gaio, pró-diretor do EAD (Educação a Distância).
O tema abordado foi “O Jornalismo no século XXl”.
O jornalista diz negar sua trajetória com a criação do programa “Profissão Repórter”, que facilitou o acesso a fontes, e conta também sobre a resistência dos mais experientes na área, ao vê-lo contratando jovens sem experiência.
“Tenho uma forte preocupação com o programa profissão repórter, por que ele nega a minha formação. O jornalista só consegue fonte fácil depois de um tempo de trabalho e esforço, pelo menos sete ou 10 anos. Para daí chegar a um jornal importante no horário da noite. No caso do programa, começamos com profissionais sem experiência em tv já no horário nobre. Houve resistência para fazer o programa com os FOCAS (chamados assim por serem iniciantes na profissão), mas nós mostramos na prática, com a tentativa de provar que com a pouca experiência pode-se fazer um bom trabalho”, diz Caco.
Em sua trajetória com o jornalismo investigativo, Caco Barcellos participou da cobertura de guerras, esteve em contato com o tráfico de drogas, além de muitas histórias comoventes no decorrer de sua carreira. “Desenvolvo a preocupação para contar de forma original com a importância de envolver as pessoas que estão em nosso país”, ressalta o jornalista.
Na entrevista Caco Barcellos contou de que forma conseguiu a aceitação de colocar ao ar o programa na emissora de Tv, Rede Globo. Em uma de suas andanças investigando o tráfico de drogas, conheceu uma menina, Esmeralda, que tinha uma aparência magra e triste por ser usuária da droga, mas tinha um sorriso lindo. Ela ajudou na investigação que o Caco fazia na época.
Após 15 anos ele a reencontrou, diferente do que era antes, estava mais “cheinha”, tanto que ele só a reconheceu pelo seu sorriso. Ela havia se formado em jornalismo.
Estava prevista a apresentação do Mano Brown – rapper brasileiro – na praça da Sé em São Paulo, com público estimado de três milhões de pessoas. Esmeralda previa uma guerra para esse dia, mas ninguém deu ouvido a ela.
Na hora do show, houve briga entre os policias e os jovens que ficaram de empurra-empurra na frente do palco. Gás, spray de pimenta, de madrugada até de manhã.
“Esmeralda já previa”, disse Caco, e não teve cobertura alguma. “No outro dia pela manhã, apareceu Esmeralda na redação com 10 fitas na mão, com toda a cobertura do fato. Ela atuou por fora da pauta, sem experiência e a matéria foi ao ar no mesmo dia a noite”, diz. Isso fez com que o programa ganhasse credibilidade diante dos mais experientes, e que levou o programa ao ar.
Um dos convidados da platéia perguntou ao Caco com relação ao diploma do jornalista, se deve ou não ser exigido.
“O diploma vai se tornar uma coisa secundária. Do ponto de vista formal, o fundamental é o conteúdo de quem está escrevendo. Os tempos são novos. São tempos de reportagem. A gente vai fazer a diferença e os equipamentos vão ser melhores e vão nos ajudar. Por mais que a gente queira defender não vai mais ter sentido”, responde Caco.
Ele fala que o grande diferencial dos jornalistas é o compromisso, em passar para as pessoas um jornalismo sério e responsável. E que o principal no jornalismo investigativo é que não pode haver polêmica.
“É fundamental que a gente tenha cada palavra comprovada, antes de levá-la para o ar. A história tem que ser verdadeira”, afirma o jornalista.
Para Caco Barcellos a ótica ideal é contextualizar o fato e informar com qualidade.”Quem chega tem que mostrar competência”,ressalta ele.
Por fim ele fala da função dos jornalistas para com as pessoas.
“É o nosso papel social, sair por aí levando informação para as pessoas traçarem melhor o seu destino. Nós somos os garimpeiros. Devemos fazer esse trabalho com muita competência”, finaliza Caco Barcellos.
